NOTÍCIA - REESTRUTURAÇÃO DA DÍVIDA SERIA INVIÁVEL AGORA, AVALIA EDER MORAES

Em meio à turbulência financeira mundial, causada pela quebra de confiança no sistema bancário norte-americano, nas liquidez das seguradoras, e nas empresas de crédito imobiliário (hipotecárias), a reestruturação da dívida de Mato Grosso seria inviável hoje porque a instabilidade se tornou generalizada e não seria prudente arriscar uma transação.

A avaliação foi feita agora há pouco pelo secretário de Fazenda, Eder de Moraes Dias, segundo o qual o governo estadual, por ingerências externas, perdeu o timing para renegociar as dívidas, estimadas em R$ 5,6 bilhões, dos quais R$ 4,8 bilhões poderiam ser reperfilados em melhores condições do que o pacto atual.

Em exclusiva para o Olhar Direto, o secretário de Fazenda afirmou que o Estado não seria prejudicado com o crise mundial porque as dívidas, caso já tivessem sido reestruturadas, estariam prefixadas em reais e em condições muito favoráveis em comparação com as atuais. Além disso, teria o respaldo do Banco do Brasil e de outras instituições que não estão na seara da crise. A exceção é o Merril Lynch, que queria participar do processo de reestruturação porque vislumbrava na transação um bom negócio.

Aliás, a repactuação da dívida mato-grossense só não ocorreu porque a Secretaria do Tesouro Nacional (STN) cedeu às pressões do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e do Bird (Banco Mundial), que não queriam ficar de fora de uma operação que poderia ser uma referência positiva para muitos Estados brasileiros, centenas de municípios e até alguns países.

Mas o Estado perderá muito. Mato Grosso, nas condições atuais, deve dispensar mais de R$ 900 milhões, em 2008, com os serviços da dívida contra cerca de R$ 660 milhões no ano passado.

Céticos e pessimistas, apontam um impacto de R$ 1 bilhão com o pagamento dos débitos estaduais. Isso sem falar no crescimento da dívida. Só no ano passado, R$ 208 milhões foram incorporados.

A despeito das cifras com o pagamento dos débitos estaduais, entre juros e o principal, o secretário diz concordar com o socorro feito pelos Bancos Centrais ao sistema bancário dos Estados Unidos, especialmente às seguradoras, porque em jogo está toda uma rede de apoio ao capital produtivo.

Ou seja: não se trata de socorrer apenas os especuladores das bolsas mundo afora ou àqueles que criaram uma bolha no sistema hipotecário com garantias frágis para liberação de financiamentos.

\"Sem o socorro ao sistema como um todo, mas de modo especial às seguradoras, nossa economia seria afetada sim porque as seguradoras têm envolvimento direto com a produção agrícola mundial, (hedge) porque dão suporte às grandes companhias que transacionam mundialmente ou que atuam em mercados domésticos, como o Brasil\", pondera o secretário, que foi um dos principais idealizadores proposta da reestruturação da dívida junto com o economista Vivaldo Lopes.

Além disso, a restrição ao crédito também atrapalharia uma eventual renegociação e da expansão do crescimento para os setores industrial e do agronegócios. \"Agora vamos ter que esperar a poeira baixar\", pondera Lopes, também em exclusiva para o Olhar, agora há pouco.

O grande debate técnico é um só: o quanto a turbulência da economia financeira vai afetar a economia real. \"E se as seguradoras não garantirem as operações, especialmente as de Investimento Estrangeiro Direto (IED), a redução de crédito vai afetar a produção de uma maneira ou de outra. Só em IED, o Brasil esperava um volume de US$ 38 bilhões para 2008 e quase a mesma monta para 2009. A pergunta é uma só: o quanto a crise vai afetar os créditos para o setor produtivo ?\"m questiona Lopes.

Em uníssono, todavia, tanto Eder Moraes quanto Vivaldo Lopes avaliam que as reservas cambiais brasileiras, avaliadas US$ 208 bilhões, representam uma salva-guarda importante para o fluxo interno de investimentos, assim como os recursos do BNDES.

\"Considero as nossas reservas como um colchão de confiança\", diz Lopes. Já Eder Moraes é mais enfático ao avaliar que as reservas cambiais elevadas demonstram que o Brasil está mais preparado para enfrentar a crise do que grande parte dos países emergentes. E as análises não deixam de ser corretas. No final do governo de Fernando Henrique Cardoso, as reservas brasileiras estavam em pífios US$ 18 bilhões.

 

FONTE: www.olhardireto.com.br

segunda 22 setembro 2008 18:03 , em NOTÍCIAS



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