No exercício de suas funções,
por vezes conflitantes, os Poderes do Estado brasileiro acabam
entrando em rota de colisão com os princípios constitucionais que
definem a competência de cada um.
Em grande parte das vezes, um esbarrão não passa da natural
acomodação entre o peso de cada uma das instituições. Mas certas
situações revelam uma maior possibilidade de extrapolar o previsto
no texto constitucional.
Juristas ouvidos por Última Instância para o
especial 20 anos de Constituição apontam que o Executivo e o
Legislativo são os Poderes com maiores chances de escapar do
previsto pela Carta de 1988.
Nessa direção é o pensamento de Marcelo Figueiredo, professor e
fundador da ABCD (Associação Brasileira de Constitucionalistas
Democratas). "O Legislativo e o Executivo seriam os dois Poderes
com maiores chances de fugir dos limites estabelecidos pelo texto
constitucional, o primeiro pelas omissões e o segundo pelos
abusos", afirma.
Na opinião do professor de teoria do Estado da USP e de teoria do
direito no curso de pós-graduação da PUC-SP, Marcelo Neves, "em
princípio, seria o Executivo o Poder mais suscetível a fugir dos
princípios constitucionais". "Mas no Brasil os outros dois poderes
freqüentemente também praticam atos contrários ao estabelecido no
texto constitucional. O corporativismo do Legislativo e do
Judiciário seria a principal causa desta prática", completa.
Sob outro viés, mas com conclusão não tão distante, o cientista
político e professor da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande
do Sul) Maurício Assumpção Moya considera que o Executivo seria o
Poder com maiores chances de escapar dos princípios estabelecidos
pelo texto constitucional. "Ele é o Poder que mais testa os
limites, pois é também o que tem acesso à maior quantidade de
informação."
Em reportagem publicada por Última Instância nesta
sexta-feira
(10/10), o professor emérito da Faculdade de Direito da USP Dalmo
de Abreu Dallari e Luiz Alberto David Araujo, professor titular de
direito constitucional da PUC-SP, externaram pensamentos
semelhantes em relação ao tema.
Dallari considera que o Poder Legislativo seria o mais suscetível a
fugir dos princípios constitucionais. Para ele, apesar de eleger de
forma direta os seus integrantes, ao contrário do Judiciário, o
Poder Legislativo se encontra mais distante da vontade popular: "É
o Poder que está mais falho, mais deficiente, mesmo sendo aquele
que se pressupunha o mais representativo".
Dallari afirmou ainda que as falhas que enxerga no Congresso
decorrem da grande deficiência do processo eleitoral e "da falta de
uma educação política eficiente para que os eleitores façam a
crítica dos candidatos". "Ainda há um peso enorme do fator
emocional, da demagogia e da corrupção eleitoral."
Para David Araujo, pela pluralidade de seus órgãos, o Legislativo
seria o Poder com mais problemas, "justamente pela diluição da
responsabilidade".
"Ao contrário do Judiciário, onde o responsável é o magistrado, e
do Executivo, cuja responsabilidade também não é diluída, o
Legislativo é um colegiado e possui caráter um pouco difuso da
responsabilização dos seus atos. Permite um ´escapar´ mais
fácil", afirma o professor Araujo.
FONTE: última instância
ESTÁ AINDA COM DÚVIDA ENTRE DILMA E SERRA? ENTÃO VEJA ESSE VÍDEO.
RECORDISTA MUNDIAL DE BALIZA
BOLA MUCHA! TADINHA DA GAROTA.
VAI SER PREGUIÇOSO ASSIM LÁ NA P....

Comentários